cidadania digital

GEEKIE NA FOLHA DE S. PAULO: CONTEÚDO DE CIDADANIA DIGITAL DO GEEKIE ONE CAPACITA ALUNOS E PROFESSORES NO COMBATE ÀS FAKE NEWS

O CONTEÚDO DE CIDADANIA DIGITAL DO GEEKIE ONE É MATÉRIA DA ÚLTIMA EDIÇÃO DA FOLHA DE SÃO PAULO. COM OLHAR VOLTADO ÀS FAKE NEWS, A MATÉRIA “EDUCAÇÃO DIGITAL” ENSINA AOS JOVENS E PROFESSORES A IDENTIFICAR E LIDAR COM OS RISCOS, OPORTUNIDADES E DESAFIOS DE ESTAREM CONECTADOS. A DISCIPLINA PODE SER UTILIZADA COMO UM INSTRUMENTO PEDAGÓGICO DE COMBATE À DESINFORMAÇÃO E ÀS NOTÍCIAS FALSAS. CONFIRA:

.

Os estudantes do 9º ano do colégio de classe média da zona sul paulistana Magister são categóricos em sua primeira aula sobre fake news: não são eles que as espalham.

São os idosos e os iniciantes no mundo tecnológico os responsáveis por propagar mentiras nas redes sociais, dizem os alunos de 13 a 15 anos.

Para testá-los, o professor mistura notícias verídicas e incorretas relacionadas à eleição deste ano.

“Google promove pesquisa eleitoral isenta em 2018”; “Voto nulo em massa gera nova eleição”; “Quem não votou nas últimas eleições não poderá votar este ano”.

Para metade dos 54 alunos, tudo faz sentido. Mas o que as três chamadas têm em comum é que não são verdade.

“Eu sabia, só não queria falar”, dispara um. “Não sei o que eu acho”, responde outro. “Pode contar como meio [voto]? Estou na dúvida”, fala mais um. “É verdade isso? Eu ia acreditar”, questiona outro.

Cerca de 30% dos jovens não sabem verificar se uma informação encontrada na internet está correta, diz pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil.

A aula sobre fake news é parte de uma iniciativa de escolas com material do aplicativo educacional Geekie. Participam 13 instituições —9 delas em São Paulo, com mensalidades entre R$ 700 e R$ 3.500.

aula fake news

Alunos do 9º ano do colegio Magister assistem aula sobre fake news

“Quando eu tinha a idade de vocês, a long time ago [muito tempo atrás]…”, brinca o professor de história Pedro Sérgio, 48, que assumiu as aulas de “cidadania digital”. “Eu sempre ouvia que o [cantor] Tim Maia tinha morrido. Só que ele foi morrer mesmo uns 20 anos depois.”

Ele quer reforçar a ideia de que as notícias falsas sempre existiram, o que mudou foi a velocidade de propagação.

E ensina quando ligar o alerta vermelho: reiteradas letras maiúsculas, erros de ortografia, pedidos de “repasse para o maior número de pessoas” e frases apelativas como “vejam esse vídeo antes que tirem do ar” ou “o governo não quer que você saiba”.

O exemplo do professor fez Rafael Ventura, 13, lembrar que já caiu numa dessas: a notícia de que o cantor Michael Jackson não estava morto. “Eu gostava muito dele. Repassei para vários grupos.” Hoje, diz que não acredita. “Mas tenho minhas dúvidas.”

Campeã em confundir os incautos estão notícias de que o WhatsApp passaria a ser pago e de que o aplicativo mostraria quem tirou “prints” da conversa. “Eu recebi, mas nunca entro nos links. Sempre pergunto ao meu irmão [de 17 anos], que manja das coisas”, diz Maria Júlia Cardoso, 13.

Os alunos insistem, porém, na ideia de que são os “jovens desinformados, ignorantes, novos na rede” que espalham inverdades. O que não se aplicaria a eles, que têm acesso a um chromebook (espécie de notebook voltado para a internet) e levam tablets e smartphones para as aulas.

E por que as pessoas criam e espalham notícias falsas? Por vontade de criar polêmica, chamar atenção, dizem uns. Ou ainda para roubar os dados de usuários e fraudar sistemas, por meio de vírus, palpitam outros.

Nenhuma das respostas, porém, menciona o custo e o lucro da engrenagem dessas notícias ou seu poder difamatório. “Existe um produto nas fakes news, um setor da sociedade que ganha com isso. Enquanto estamos conversando, tem gente criando milhares de notícias para enganar, difamar”, diz o professor.

Ele levanta a bola de outra possibilidade: as pessoas compartilham porque aquela notícia já corrobora sua visão de mundo. “É um conceito que talvez vocês não conheçam: a pós-verdade”, explica aos alunos, sobre a palavra do ano em 2016, escolhida por Oxford.

“Quem não gosta do Aécio vai compartilhar algo contra o Aécio”, exemplifica Lucca Manrique, 15. Quem faz isso, devia receber uma multa, defende. “Precisamos saber quem está por trás e bloquear notícia fakes. A internet é muito livre”, diz o estudante.

Iniciativa do tipo foi anunciada pelo Facebook, na quinta (10). A plataforma vai iniciar um programa de verificação de notícias em parceria com agências de checagem.

O professor Pedro Sérgio acha a iniciativa perigosa. “Não sei até que ponto a rede deve criar controle sobre o que é publicado nela.”

“Não tem solução perfeita, ideal. Mas parte da responsabilidade por esses conteúdos é sim das empresas”, diz Claudio Sassaki, 44, co-fundador e CEO da Geekie.

Quem não pode se esquivar da responsabilidade são as escolas, defendem os dois. Sassaki diz que viu a demanda por aulas do tipo crescer no último ano. Segundo o professor, a idade ideal para os alunos começarem a aprender cidadania digital é quando já sabem ler, entre 6 e 10 anos. Muito cedo?

“Não acho, minha prima de 4 anos tem um Iphone X já”, diz Rafael. “[O celular] virou uma chupeta”, afirma o aluno.

.
CLIQUE AQUI E LEIA A MATÉRIA COMPLETA.

.

footer.

 

.

objetivos tangíveis escola

ENTENDA COMO OBJETIVOS TANGÍVEIS NA SUA ESCOLA PODEM POTENCIALIZAR SEU NEGÓCIO

NESTE ARTIGO, MARCELA LORENZONI REFLETE SOBRE COMO AS ESCOLAS ENFRENTAM HOJE UMA DIFICULDADE EM ESCOLHER UM CAMINHO EM UM AMBIENTE SATURADO DE INFORMAÇÕES, ASSIM COMO SOBRE A NECESSIDADE DE SE DEFINIR OBJETIVOS TANGÍVEIS E COERENTES COM CADA PROPÓSITO E METAS PASSÍVEIS DE SER MENSURÁVEIS.
.

Nem só de tecnologia vivem as discussões quanto à Educação no século XXI. Sendo, como é, um micro-organismo representativo da sociedade, a escola abrange as mudanças e angústias de sua época. Falamos de como melhor acolher diferentes configurações familiares; como criar espaços inclusivos à diversidade; e, em última instância, do próprio papel da instituição, que também se transforma – afinal, para quê serve a escola? Queremos educar cidadãos politizados, trabalhadores eficientes, empreendedores criativos, pessoas empáticas? Não apenas não sabemos, como lutamos contra a sensação de que escolher um caminho significaria, ao mesmo tempo, abrir mão de vários outros.

.

NÃO SOMOS CAPAZES DE DIGERIR TUDO

Querer tudo é o estado natural da nossa época. O volume incompreensível de informação a que estamos expostos – em um nível que somos biologicamente incapazes de processar -, tanto quanto o medo originado de crises políticas e econômicas, gera um sentimento de insegurança generalizado e, por consequência, uma ânsia por respostas que nos salvem do caos.

Em primeiro lugar, não podemos perder nada; algoritmos em redes sociais se aproveitam do nosso FOMO (fear of missing out, em inglês, ou “medo de ficar de fora”) fazendo-nos clicar em notificação atrás de notificação, entrando num fluxo que nunca irá nos saciar. Em segundo lugar, somos constantemente cobrados a nos posicionar: sobre tudo precisamos emitir alguma opinião, de repente nos tornamos especialistas em temas que vão de história do Oriente Médio à física quântica. Ai de quem ousar não saber!

Assim como em todo o resto, também na Educação nos vemos desnorteados, sem saber em qual tendência apostar. Ficamos divididos entre habilidades socioemocionais e o vestibular, entre metodologias ativas de aprendizagem e sistemas de ensino que garantem o sucesso, entre período integral ou mais tempo para o brincar livre, meditação ou tecnologia com foco em dados… São tantas as fórmulas mágicas que sempre estamos perdendo a última novidade. E quem dirá qual vai garantir a saúde e o sucesso dessas meninas e meninos?

.

QUAIS OS OBJETIVOS DE SUCESSO DA SUA ESCOLA?

Há poucos dias, em uma sala de professores durante o intervalo, uma professora comentou sobre a falta de indicadores para atestar o sucesso da escola. Ela divide seu tempo entre duas instituições – aquela em que eu estava e outra, que utiliza um sistema de ensino focado na aprovação em vestibulares concorridos. “Pessoalmente, não concordo com a ideologia deste sistema de ensino”, disse ela, “mas não posso negar que são coerentes. Quando uma família chega para realizar a matrícula, sabe que o objetivo é que aquela criança um dia passe num curso de Medicina ou Direito, sabe que o conteúdo é voltado para isso e sabe que as avaliações seguem esse modelo. Tudo é feito em torno desse objetivo. Por isso as famílias se sentem seguras, elas entendem exatamente o que estão comprando”, explicou então.

Por outro lado, na escola em que estávamos, a impressão era outra. Resolvemos entrar no site do colégio para averiguar sua missão e visão. Encontramos o discurso amplo da “educação integral” e do “olhar para as potencialidades de cada aluno”, assim como a “preparação para o amanhã” e o “desenvolvimento do pensamento crítico”. Perguntamos à equipe em volta – como vocês conferem se essas metas foram atingidas?

Não conferimos.

Isso não significa que a proposta da escola esteja de todo incorreta. Pessoalmente, também acredito em uma Educação que apoie o desenvolvimento de seres humanos emocionalmente capazes de viver (de preferência, com alguma paz de espírito) nesse cenário acelerado e em permanente transformação. Porém, se tem algo que trabalhar em um ambiente com cultura de startup me ensinou foi a importância de basear nossas decisões em dados, sejam eles qualitativos ou quantitativos. Isso exige da escola uma função que ela está pouco habituada a executar e que muitas vezes parece estranha no universo educacional: a de definir objetivos de sucesso e investir na gestão de projetos.

.

SE NÃO DÓI, VOCÊ NÃO ESTÁ FOCANDO

Sim, você quer todos eles. Você quer que seus estudantes sejam pessoas boas e que se comovem com a dor do outro, assim como cidadãos que votam com consciência e não jogam lixo na rua; quer que empreendam o próprio negócio ou conquistem vagas no topo de empresas. Nós queremos tudo. Mas o que queremos mais? Se só pudéssemos optar por um caminho, qual seria?

O processo é tanto eficiente quanto doloroso. No projeto Geekie One, apoiamos essa trajetória pedindo que a escola pense em curto e médio prazo, gerando objetivos mais tangíveis, passíveis de serem mensurados em menor tempo. Isso acelera a percepção de resultados e a sensação de estarmos avançando.

“Quero que minhas alunas e meus alunos aprendam melhor” é abstrato e distante; por outro lado, “quero que minhas alunas e meus alunos sejam capazes de fazer pesquisas utilizando diversos recursos digitais” e “quero que estejam motivados com o material utilizado em minha escola” podem parecer proposições menos ambiciosas, entretanto, são verificáveis dentro de poucos meses e ainda representam etapas importantes na jornada de longo prazo.

Como consultora, vejo que esse é um momento de frustração para a gestão escolar (afinal, estamos deixando inúmeros outros pontos relevantes de lado). Contudo, é preciso manter a perspectiva de que estamos trabalhando em etapas e que essas métricas irão evoluir conforme seguimos: elas são os tijolos que constroem os alicerces do seu sucesso.

.

DETERMINE METAS POSSÍVEIS E MENSURÁVEIS

Uma vez que tais objetivos forem acordados, é hora de discutir com a equipe quais as formas mais eficazes de medir esses resultados. O que fazemos é destrinchar um objetivo macro em algumas metas passíveis de serem mensuradas periodicamente, permitindo o acompanhamento do projeto. Assim, se meu objetivo era “quero que estejam motivados com o material utilizado em minha escola”, posso delimitar as metas:

  1. 80% dos estudantes estão satisfeitos ou muito satisfeitos com o nosso material;
  2. 100% dos estudantes acessam nosso material semanalmente; ou
  3. 100% dos estudantes realizam as atividades propostas em sala e em casa.

Esses são apenas exemplos. O mais importante é que sejam metas ambiciosas, porém possíveis, e que possam ser revisitadas de tempos em tempos através de ferramentas familiares à sua instituição. Alguns dos métodos que empregamos são:

  • Pesquisas de satisfação,
  • Autoavaliações,
  • Frequência de uso (dos recursos ou materiais em questão),
  • Avaliações diagnósticas e de resultados de aprendizagem, e
  • Participação nas atividades propostas.

A partir daí, o essencial é incentivar, em toda a equipe, a cultura de se trabalhar com foco no objetivo de sucesso, estruturando encontros para interpretar os dados e reorientar práticas pedagógicas e de gestão em busca de uma visão comum. Parte do papel da consultoria da Geekie é justamente fornecer suporte à sua instituição de ensino ao longo de toda essa caminhada, trazendo essa e outras metodologias para potencializar o diálogo, a corresponsabilidade e, consequentemente, a aprendizagem de seus estudantes.

.

*Marcela Lorenzoni é especialista em Gestão da Educação no Novo Milênio pelo Instituto Singularidades e bacharel em Comunicação Social pela PUC-PR. Antes de entrar no universo de startups de tecnologia educacional, foi professora de inglês em escolas de idiomas, escolas particulares e no exterior. Hoje, é Consultora Pedagógica da Geekie. É apaixonada por protagonismo estudantil, tema que discutiu no ECOSOC Youth Forum, na sede da ONU em Nova York.