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GEEKIE NA FOLHA DE S. PAULO: CONTEÚDO DE CIDADANIA DIGITAL DO GEEKIE ONE CAPACITA ALUNOS E PROFESSORES NO COMBATE ÀS FAKE NEWS

O CONTEÚDO DE CIDADANIA DIGITAL DO GEEKIE ONE É MATÉRIA DA ÚLTIMA EDIÇÃO DA FOLHA DE SÃO PAULO. COM OLHAR VOLTADO ÀS FAKE NEWS, A MATÉRIA “EDUCAÇÃO DIGITAL” ENSINA AOS JOVENS E PROFESSORES A IDENTIFICAR E LIDAR COM OS RISCOS, OPORTUNIDADES E DESAFIOS DE ESTAREM CONECTADOS. A DISCIPLINA PODE SER UTILIZADA COMO UM INSTRUMENTO PEDAGÓGICO DE COMBATE À DESINFORMAÇÃO E ÀS NOTÍCIAS FALSAS. CONFIRA:

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Os estudantes do 9º ano do colégio de classe média da zona sul paulistana Magister são categóricos em sua primeira aula sobre fake news: não são eles que as espalham.

São os idosos e os iniciantes no mundo tecnológico os responsáveis por propagar mentiras nas redes sociais, dizem os alunos de 13 a 15 anos.

Para testá-los, o professor mistura notícias verídicas e incorretas relacionadas à eleição deste ano.

“Google promove pesquisa eleitoral isenta em 2018”; “Voto nulo em massa gera nova eleição”; “Quem não votou nas últimas eleições não poderá votar este ano”.

Para metade dos 54 alunos, tudo faz sentido. Mas o que as três chamadas têm em comum é que não são verdade.

“Eu sabia, só não queria falar”, dispara um. “Não sei o que eu acho”, responde outro. “Pode contar como meio [voto]? Estou na dúvida”, fala mais um. “É verdade isso? Eu ia acreditar”, questiona outro.

Cerca de 30% dos jovens não sabem verificar se uma informação encontrada na internet está correta, diz pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil.

A aula sobre fake news é parte de uma iniciativa de escolas com material do aplicativo educacional Geekie. Participam 13 instituições —9 delas em São Paulo, com mensalidades entre R$ 700 e R$ 3.500.

aula fake news

Alunos do 9º ano do colegio Magister assistem aula sobre fake news

“Quando eu tinha a idade de vocês, a long time ago [muito tempo atrás]…”, brinca o professor de história Pedro Sérgio, 48, que assumiu as aulas de “cidadania digital”. “Eu sempre ouvia que o [cantor] Tim Maia tinha morrido. Só que ele foi morrer mesmo uns 20 anos depois.”

Ele quer reforçar a ideia de que as notícias falsas sempre existiram, o que mudou foi a velocidade de propagação.

E ensina quando ligar o alerta vermelho: reiteradas letras maiúsculas, erros de ortografia, pedidos de “repasse para o maior número de pessoas” e frases apelativas como “vejam esse vídeo antes que tirem do ar” ou “o governo não quer que você saiba”.

O exemplo do professor fez Rafael Ventura, 13, lembrar que já caiu numa dessas: a notícia de que o cantor Michael Jackson não estava morto. “Eu gostava muito dele. Repassei para vários grupos.” Hoje, diz que não acredita. “Mas tenho minhas dúvidas.”

Campeã em confundir os incautos estão notícias de que o WhatsApp passaria a ser pago e de que o aplicativo mostraria quem tirou “prints” da conversa. “Eu recebi, mas nunca entro nos links. Sempre pergunto ao meu irmão [de 17 anos], que manja das coisas”, diz Maria Júlia Cardoso, 13.

Os alunos insistem, porém, na ideia de que são os “jovens desinformados, ignorantes, novos na rede” que espalham inverdades. O que não se aplicaria a eles, que têm acesso a um chromebook (espécie de notebook voltado para a internet) e levam tablets e smartphones para as aulas.

E por que as pessoas criam e espalham notícias falsas? Por vontade de criar polêmica, chamar atenção, dizem uns. Ou ainda para roubar os dados de usuários e fraudar sistemas, por meio de vírus, palpitam outros.

Nenhuma das respostas, porém, menciona o custo e o lucro da engrenagem dessas notícias ou seu poder difamatório. “Existe um produto nas fakes news, um setor da sociedade que ganha com isso. Enquanto estamos conversando, tem gente criando milhares de notícias para enganar, difamar”, diz o professor.

Ele levanta a bola de outra possibilidade: as pessoas compartilham porque aquela notícia já corrobora sua visão de mundo. “É um conceito que talvez vocês não conheçam: a pós-verdade”, explica aos alunos, sobre a palavra do ano em 2016, escolhida por Oxford.

“Quem não gosta do Aécio vai compartilhar algo contra o Aécio”, exemplifica Lucca Manrique, 15. Quem faz isso, devia receber uma multa, defende. “Precisamos saber quem está por trás e bloquear notícia fakes. A internet é muito livre”, diz o estudante.

Iniciativa do tipo foi anunciada pelo Facebook, na quinta (10). A plataforma vai iniciar um programa de verificação de notícias em parceria com agências de checagem.

O professor Pedro Sérgio acha a iniciativa perigosa. “Não sei até que ponto a rede deve criar controle sobre o que é publicado nela.”

“Não tem solução perfeita, ideal. Mas parte da responsabilidade por esses conteúdos é sim das empresas”, diz Claudio Sassaki, 44, co-fundador e CEO da Geekie.

Quem não pode se esquivar da responsabilidade são as escolas, defendem os dois. Sassaki diz que viu a demanda por aulas do tipo crescer no último ano. Segundo o professor, a idade ideal para os alunos começarem a aprender cidadania digital é quando já sabem ler, entre 6 e 10 anos. Muito cedo?

“Não acho, minha prima de 4 anos tem um Iphone X já”, diz Rafael. “[O celular] virou uma chupeta”, afirma o aluno.

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objetivos tangíveis escola

ENTENDA COMO OBJETIVOS TANGÍVEIS NA SUA ESCOLA PODEM POTENCIALIZAR SEU NEGÓCIO

NESTE ARTIGO, MARCELA LORENZONI REFLETE SOBRE COMO AS ESCOLAS ENFRENTAM HOJE UMA DIFICULDADE EM ESCOLHER UM CAMINHO EM UM AMBIENTE SATURADO DE INFORMAÇÕES, ASSIM COMO SOBRE A NECESSIDADE DE SE DEFINIR OBJETIVOS TANGÍVEIS E COERENTES COM CADA PROPÓSITO E METAS PASSÍVEIS DE SER MENSURÁVEIS.
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Nem só de tecnologia vivem as discussões quanto à Educação no século XXI. Sendo, como é, um micro-organismo representativo da sociedade, a escola abrange as mudanças e angústias de sua época. Falamos de como melhor acolher diferentes configurações familiares; como criar espaços inclusivos à diversidade; e, em última instância, do próprio papel da instituição, que também se transforma – afinal, para quê serve a escola? Queremos educar cidadãos politizados, trabalhadores eficientes, empreendedores criativos, pessoas empáticas? Não apenas não sabemos, como lutamos contra a sensação de que escolher um caminho significaria, ao mesmo tempo, abrir mão de vários outros.

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NÃO SOMOS CAPAZES DE DIGERIR TUDO

Querer tudo é o estado natural da nossa época. O volume incompreensível de informação a que estamos expostos – em um nível que somos biologicamente incapazes de processar -, tanto quanto o medo originado de crises políticas e econômicas, gera um sentimento de insegurança generalizado e, por consequência, uma ânsia por respostas que nos salvem do caos.

Em primeiro lugar, não podemos perder nada; algoritmos em redes sociais se aproveitam do nosso FOMO (fear of missing out, em inglês, ou “medo de ficar de fora”) fazendo-nos clicar em notificação atrás de notificação, entrando num fluxo que nunca irá nos saciar. Em segundo lugar, somos constantemente cobrados a nos posicionar: sobre tudo precisamos emitir alguma opinião, de repente nos tornamos especialistas em temas que vão de história do Oriente Médio à física quântica. Ai de quem ousar não saber!

Assim como em todo o resto, também na Educação nos vemos desnorteados, sem saber em qual tendência apostar. Ficamos divididos entre habilidades socioemocionais e o vestibular, entre metodologias ativas de aprendizagem e sistemas de ensino que garantem o sucesso, entre período integral ou mais tempo para o brincar livre, meditação ou tecnologia com foco em dados… São tantas as fórmulas mágicas que sempre estamos perdendo a última novidade. E quem dirá qual vai garantir a saúde e o sucesso dessas meninas e meninos?

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QUAIS OS OBJETIVOS DE SUCESSO DA SUA ESCOLA?

Há poucos dias, em uma sala de professores durante o intervalo, uma professora comentou sobre a falta de indicadores para atestar o sucesso da escola. Ela divide seu tempo entre duas instituições – aquela em que eu estava e outra, que utiliza um sistema de ensino focado na aprovação em vestibulares concorridos. “Pessoalmente, não concordo com a ideologia deste sistema de ensino”, disse ela, “mas não posso negar que são coerentes. Quando uma família chega para realizar a matrícula, sabe que o objetivo é que aquela criança um dia passe num curso de Medicina ou Direito, sabe que o conteúdo é voltado para isso e sabe que as avaliações seguem esse modelo. Tudo é feito em torno desse objetivo. Por isso as famílias se sentem seguras, elas entendem exatamente o que estão comprando”, explicou então.

Por outro lado, na escola em que estávamos, a impressão era outra. Resolvemos entrar no site do colégio para averiguar sua missão e visão. Encontramos o discurso amplo da “educação integral” e do “olhar para as potencialidades de cada aluno”, assim como a “preparação para o amanhã” e o “desenvolvimento do pensamento crítico”. Perguntamos à equipe em volta – como vocês conferem se essas metas foram atingidas?

Não conferimos.

Isso não significa que a proposta da escola esteja de todo incorreta. Pessoalmente, também acredito em uma Educação que apoie o desenvolvimento de seres humanos emocionalmente capazes de viver (de preferência, com alguma paz de espírito) nesse cenário acelerado e em permanente transformação. Porém, se tem algo que trabalhar em um ambiente com cultura de startup me ensinou foi a importância de basear nossas decisões em dados, sejam eles qualitativos ou quantitativos. Isso exige da escola uma função que ela está pouco habituada a executar e que muitas vezes parece estranha no universo educacional: a de definir objetivos de sucesso e investir na gestão de projetos.

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SE NÃO DÓI, VOCÊ NÃO ESTÁ FOCANDO

Sim, você quer todos eles. Você quer que seus estudantes sejam pessoas boas e que se comovem com a dor do outro, assim como cidadãos que votam com consciência e não jogam lixo na rua; quer que empreendam o próprio negócio ou conquistem vagas no topo de empresas. Nós queremos tudo. Mas o que queremos mais? Se só pudéssemos optar por um caminho, qual seria?

O processo é tanto eficiente quanto doloroso. No projeto Geekie One, apoiamos essa trajetória pedindo que a escola pense em curto e médio prazo, gerando objetivos mais tangíveis, passíveis de serem mensurados em menor tempo. Isso acelera a percepção de resultados e a sensação de estarmos avançando.

“Quero que minhas alunas e meus alunos aprendam melhor” é abstrato e distante; por outro lado, “quero que minhas alunas e meus alunos sejam capazes de fazer pesquisas utilizando diversos recursos digitais” e “quero que estejam motivados com o material utilizado em minha escola” podem parecer proposições menos ambiciosas, entretanto, são verificáveis dentro de poucos meses e ainda representam etapas importantes na jornada de longo prazo.

Como consultora, vejo que esse é um momento de frustração para a gestão escolar (afinal, estamos deixando inúmeros outros pontos relevantes de lado). Contudo, é preciso manter a perspectiva de que estamos trabalhando em etapas e que essas métricas irão evoluir conforme seguimos: elas são os tijolos que constroem os alicerces do seu sucesso.

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DETERMINE METAS POSSÍVEIS E MENSURÁVEIS

Uma vez que tais objetivos forem acordados, é hora de discutir com a equipe quais as formas mais eficazes de medir esses resultados. O que fazemos é destrinchar um objetivo macro em algumas metas passíveis de serem mensuradas periodicamente, permitindo o acompanhamento do projeto. Assim, se meu objetivo era “quero que estejam motivados com o material utilizado em minha escola”, posso delimitar as metas:

  1. 80% dos estudantes estão satisfeitos ou muito satisfeitos com o nosso material;
  2. 100% dos estudantes acessam nosso material semanalmente; ou
  3. 100% dos estudantes realizam as atividades propostas em sala e em casa.

Esses são apenas exemplos. O mais importante é que sejam metas ambiciosas, porém possíveis, e que possam ser revisitadas de tempos em tempos através de ferramentas familiares à sua instituição. Alguns dos métodos que empregamos são:

  • Pesquisas de satisfação,
  • Autoavaliações,
  • Frequência de uso (dos recursos ou materiais em questão),
  • Avaliações diagnósticas e de resultados de aprendizagem, e
  • Participação nas atividades propostas.

A partir daí, o essencial é incentivar, em toda a equipe, a cultura de se trabalhar com foco no objetivo de sucesso, estruturando encontros para interpretar os dados e reorientar práticas pedagógicas e de gestão em busca de uma visão comum. Parte do papel da consultoria da Geekie é justamente fornecer suporte à sua instituição de ensino ao longo de toda essa caminhada, trazendo essa e outras metodologias para potencializar o diálogo, a corresponsabilidade e, consequentemente, a aprendizagem de seus estudantes.

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*Marcela Lorenzoni é especialista em Gestão da Educação no Novo Milênio pelo Instituto Singularidades e bacharel em Comunicação Social pela PUC-PR. Antes de entrar no universo de startups de tecnologia educacional, foi professora de inglês em escolas de idiomas, escolas particulares e no exterior. Hoje, é Consultora Pedagógica da Geekie. É apaixonada por protagonismo estudantil, tema que discutiu no ECOSOC Youth Forum, na sede da ONU em Nova York.

COMO A EDUCAÇÃO DIGITAL PODE SE ALIAR À APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA?

CAROLINA BRANT, DESIGNER PEDAGÓGICA DA GEEKIE, FALA UM POUCO SOBRE COMO A DISCIPLINA DE EDUCAÇÃO DIGITAL PODE SE ALIAR À APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA. LEIA!

Na Geekie, a Educação Digital está pautada em um tripé composto de riscosdesafios oportunidades que o mundo digital proporciona. Além disso, a disciplina vai além da mera formação para a cidadania digital. Junto com o aprendizado que envolve disponibilizar insumos para o alcance dessa cidadania, está também a intenção de fazer com que essa seja uma aprendizagem significativa e aplicável ao dia a dia de cada estudante.

Educar para a cidadania digital vai além da simples compreensão de conceitos. Não é apenas fazer com que se entenda, por exemplo, o que são pegadas digitais. Mas é fazer que sua relevância e importância sejam vistas e compreendidas na prática. Ou seja, que estudantes reconheçam que pegadas digitais influenciam na forma como cada pessoa é vista na internet e como a reputação on-line (que pode influenciar em um futuro emprego, relacionamento ou vaga acadêmica) é construída diariamente por meio desses rastros digitais que deixamos e que devem ser monitorados por cada um.

Para nós, é importante saber reconhecer quando se está diante de fake news. E, mais importante, ainda, é ter senso crítico diante de qualquer informação que esteja disponível. Relevante mesmo é saber o que compartilhar, saber como agir e saber quando algo é realmente útil para a construção do seu próprio aprendizado e o de sua turma ou quando é apenas parte de um movimento que só gera mais conflito e segrega opiniões na rede.

Ser crítico diante de informações é essencial, ainda mais quando é apenas parte de um movimento que só gera mais conflito e segrega opiniões na rede.


É POSSÍVEL A APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA EM EDUCAÇÃO DIGITAL?

Possibilidades não faltam nessa esfera. Tomando por base que a memória associa melhor a aprendizagem quando ela vem acompanhada de um significado, trazemos para a sala de aula casos reais e próximos à vida de cada estudante de Educação Digital.

Fazendo uso de metodologias ativas, abrimos espaço para discussões sobre fatos reais, que poderiam ter acontecido na vida dos próprios alunos ou de pessoas muito próximas. Esses casos agregam valor não só ao que é aprendido, mas impulsionam o protagonismo e a aprendizagem colaborativa dentro da sala de aula.

Com isso, faz-se possível desenvolver, claramente, outras competências bastante relevantes na formação de estudantes, reconhecidas, inclusive na BNCC. Vemos, por exemplo, o exercício da empatia, do diálogo, o desenvolvimento de pensamento crítico, da cooperação e capacidade de resolução de problemas.

As metodologias ativas impulsionam o protagonismo e a aprendizagem colaborativa dentro da sala de aula.


ESSA APRENDIZAGEM ESTÁ RESTRITA ÀS AULAS DE EDUCAÇÃO DIGITAL?

A formação da cidadania digital não se restringe às aulas de Educação Digital e nem mesmo pode se dizer que a aprendizagem significativa esteja restrita à disciplinas “inovadoras” ou não tão comuns.

Trazer significado para a sala de aula é possível em qualquer disciplina e os resultados são gratificantes. Conhecer o universo dos estudantes e exercer uma escuta ativa sobre suas necessidades é um dos caminhos a se seguir, que proporciona a aproximação e o diálogo. Já trouxemos aqui no InfoGeekie vários exemplos de aprendizagem significativa em diversas disciplinas, em diferentes escolas, usando variadas metodologias. Que tal se inspirar em algumas e testar algo novo em sua turma? E, se quiser, compartilhe conosco como foi essa experiência!

Leia mais…

* Carolina Brant é Designer Pedagógica da Geekie, bacharel em Direito com LL.M. em Direito Empresarial e está cursando o programa de certificação em Social-Emotional Learning and Character Development pela Rutgers School of Arts and Science em parceria com College of Saint Elizabeth. Tem experiência com Direito da Tecnologia, apaixonada por educação, encontrou seu caminho contribuindo para o time de Educação Digital da Geekie.

DESIGN THINKING NA APRENDIZAGEM PERSONALIZADA

DESDE PEQUENOS, SOMOS ENSINADOS A CRIAR E IMAGINAR. QUANDO CRESCEMOS, TUDO MUDA. MAS COMO CONTINUAR ESTIMULANDO A CRIATIVIDADE? PAULA GONÇALVES FALA SOBRE A ABORDAGEM DO DESIGN THINKING NA APRENDIZAGEM PERSONALIZADA. LEIA AGORA!

A nossa capacidade de criação é um dom que nos diferencia como humanos. Como praticamos essa habilidade desde os primeiros dias de vida, nada mais lógico do que na fase adulta sermos verdadeiros experts em criatividade, certo? Pois é, provavelmente não. 

Por muitas causas e influências, limitamos nossa capacidade de propor alternativas, as tais soluções mais eficazes que as conhecidas para situações de impasse.

É o que chamamos de “olhar viciado”: se caracteriza com a mesma sensação de olharmos um quadro com uma ideia fixa e não conseguirmos enxergar em primeira instância sua mensagem subliminar, ou um significado menos óbvio daquele retrato.

Na educação, recebemos um turbilhão de incentivos ao pensarmos a sala de aula de uma maneira mais significativa para os estudantes. O mesmo acontece quando somos incentivados a refletir sobre abordagens de aprendizagem mais personalizada.

Não faltam provocações ou discursos bem embasados neste sentido. Do outro lado, a angústia que recai sobre muitos de nós educadores, e que é difícil de encontrar respostas, é como realizar na prática essas novas metodologias para promover uma sala de aula mais significativa para todos.

ABORDAGEM PARA A CRIATIVIDADE: DESIGN THINKING NA APRENDIZAGEM PERSONALIZADA

Uma das abordagens que se mostrou muito funcional na criação de soluções eficazes, em diversos mercados, é a metodologia do Design Thinking. Aliás, acaba sendo um caminho bem democrático, pois sua essência está muito relacionada em resgatar a criatividade que já reside em nós, e estimular o formato de pensamento para um processo de empatia, ideação e melhoria contínua.

Quando criança, também somos verdadeiros experts em “investigar” tudo de novo que aparece na nossa frente. Com este olhar, somos movidos pela “curiosidade”, pois queremos conhecer tudo que podemos, “sem julgamentos” ou “associações”.

A investigação, curiosidade, não julgamento e abertura são atitudes imprescindíveis para a prática do Design Thinking, que também resgata habilidades que estão em nossa essência, mas não necessariamente praticamos.

Leia mais: Design Thinking na Educação – caminhos e possibilidades

A falta dessa prática no universo da sala de aula pode nos deixar pouco hábeis quando precisarmos utilizar essa “caixa de ferramentas”.

O Design Thinking na aprendizagem personalizada tem se provado ser altamente funcional em situações de impasse, problemas com soluções complexas, ou a necessidade de repensar uma dinâmica em sala. Essa metodologia não apresenta um “formato certo” de realizar novas práticas, mas sim uma forma de exercitar o pensamento com foco em conhecer melhor problemas e impasses, as pessoas que estão envolvidas nele e do que elas realmente precisam. E a parte mais incrível: trás a tona todo o potencial criativo que já existe dentro de nós.

Leia mais: Design Thinking para educadores

COMO PROPOR ALTERNATIVAS PARA ESSE IMPASSE BEM COMUM EM SALA DE AULA?

Veja o seguinte exemplo: você leciona para o Ensino Médio e está com o cronograma apertado de conteúdos para serem abordados. Ao mesmo tempo, percebe que um grupo de estudantes está com dificuldades de compreender os conceitos que foram dados na aula de hoje, o que irá prejudicar o acompanhamento dos assuntos que virão na sequência. O que deve fazer a partir dessa situação? Como aplicar o Design Thinking na aprendizagem personalizada?

Existem muitas alternativas, e algumas bem conhecidas: encaminhar os estudantes para um plantão de dúvidas e continuar a matéria, sugerir para que eles estudem em casa o que não compreenderam ou compartilhar com a coordenação a possibilidade de atrasar seu planejamento. Todas as alternativas têm sua contribuições e suas dificuldades.

Se fossemos refletir sobre esse impasse com a lente das metodologias de aprendizagem personalizada, seríamos estimulados a buscar soluções que acompanhassem esses estudantes em sua dificuldade, ao mesmo tempo estimulando os demais para um novo desafio. E aí vemos propostas conhecidas como o Ensino Híbrido, a Estação por Rotações e o Modelo Flexível.

Apesar das três sugestões buscarem alternativas que ajudam os estudantes com níveis distintos de compreensão a interagir, isso garante que esses modelos se aplicam nessa forma na sua aula?  Não, pois é essencial saber se você, como educador, está de fato confortável em começar algumas dessas práticas, e deveria também ser capaz de personalizar essas dinâmicas para sua realidade.

Leia mais: Por que metodologias ativas de aprendizagem não funcionam na América Latina?

Uma opção é utilizar o raciocínio do Design Thinking na aprendizagem personalizada como apoio para ajudar na reflexão desse problema, na ideação dessas alternativas para sua realidade, no teste dessa solução, levando em consideração o que eu você já faz e que costuma funcionar bem!

Ainda nesse caso hipotético, você poderia fazer uma pergunta rápida em sala sobre qual a forma que os estudantes mais aprendem estudando após a aula, por exemplo. E descobrir que, na verdade, muitos dos conceitos são esclarecidos quando eles estudam com outros colegas. Ou, nessa pergunta, perceber no meio do caminho que o problema na verdade nem se caracteriza pela falta de compreensão, mas pela falta de tempo de estudo, de fato.

A partir da empatia em investigar mais a fundo o que estava ocorrendo, ocorreu uma ampliação da real situação. Portanto, as ideias que você poderá ter serão baseadas em garantir mais tempo dentro da própria aula para que os alunos pratiquem o que for mais essencial. Durante essas práticas, alguns estudantes ficarão como “monitores” em sala, de forma que eles também tenham um objetivo diferenciado. A partir disso, novas ideias poderão surgir e assim fará sentido compreender se alguma das metodologias ativas podem incrementar este caminho que você está criando em sala. Assim, você poderá decidir que o modelo flexível fará todo sentido, pois, após essa aula, os estudantes com mais dificuldade terão exercícios mais elementares, que os ajudam a suprir a lacuna de aprendizado em um primeiro momento.

Se esse leque de oportunidades te pareceu muito complexo, parabéns – você já está refletindo com a mentalidade de Design Thinking na aprendizagem personalizada! De tudo que foi colocado acima, qual é o passo mais simples que você acredita poder dar na próxima aula? Apenas deixar 10 minutos para que os estudantes tenham tempo de auto reflexão em sala com o conceito mais importante, mesmo que sozinhos? Quando sair de sala, o olhar de investigador e de não julgamento com você mesmo poderá te ajudar a lembrar de refletir sua auto análise sobre essa prática, e de perguntar ao grupo na próxima aula se foi um momento valioso para eles. A partir disso, você poderá aperfeiçoar o que já testou, e avançar na etapa 2 das suas ideias, que poderia ser a disponibilização de estudantes como monitores. Na terceira etapa talvez inclua rotações. E assim sucessivamente.

Lembre-se: quando se sentir inspirado ou estimulado a buscar alternativas para problemas conhecidos, lembre-se que novas formas de pensar fazem parte de um processo seguido por etapas. Você, educador, é a primeira pessoa a ser considerada neste processo, podendo adaptar o que for útil para sua realidade e ser empático e não julgador consigo mesmo, para então aplicar estes valores ao seu grupo. E, quando menos perceber, você já estará praticando uma forma mais significativa de gerir a sala de aula.

Leia mais…

* Paula Gonçalves iniciou sua trajetória com a educação e os negócios de impacto na graduação de Relações Internacionais, quando foi coordenadora do projeto PAS de educação de Jovens e Adultos. Durante os 3 últimos anos na Geekie, contribuiu para a construção das áreas de atendimento e engajamento de escolas. Hoje, Paula facilita workshops na áreas de Sucesso do Usuário e engajamento do Amani Institute, onde também completou sua pós graduação em Gestão e Inovação Social. Também atua como Relações Institucionais da ONG Centros Etievan de Educação Integral para Primeira Infância. Além disso, apoia a equipe Consultoria Pedagógica da Geekie.

EDUCAÇÃO DIGITAL: O PASSO NECESSÁRIO NA FORMAÇÃO DA CIDADANIA (DIGITAL)

O QUE É EDUCAÇÃO DIGITAL? É UM PASSO FUNDAMENTAL À FORMAÇÃO DOS JOVENS DO SÉCULO XXI PARA O PREPARO DE CIDADÃOS CAPAZES DE CONVIVER NESSE MUNDO E COMPREENDER SEUS RISCOS, DESAFIOS E OPORTUNIDADES. LEIA MAIS!

A mudança de padrão da sociedade é inegável. Quando antes a propagação da informação estava limitada a recursos tecnológicos controlados por uma mídia centralizada, hoje, ela já não tem limites. A cada segundo, qualquer informação pode ser captada em tempo real e de qualquer lugar do mundo, da palma da mão, bastando um clique.

Nesse cenário, educar alunos que já são nativos digitais passa a ser um grande desafio. Precisamos compreender que os alunos não veem a tecnologia da mesma forma que muitos de nós vemos, ou seja, como uma inovação. Para eles, tecnologia nada mais é do que uma parte natural do mundo em que vivem – eles aprendem desde cedo a manusear qualquer dispositivo eletrônico que caia em suas mãos.

Porém, não podemos partir do pressuposto de que tal naturalidade signifique destreza e domínio de tudo. Pelo contrário. Se ainda estamos aprendendo a lidar com os recursos tecnológicos, tendo como suporte toda a vivência e aprendizados passados, os jovens de hoje caem quase em queda livre nesse universo, mas nem sempre contando com as malícias e o pensamento crítico para discernir os limites entre o real e o fictício.

Como professores responsáveis pela educação digital nesse universo, passamos, também, a ter o papel de moldar comportamentos para ajudar os jovens a lidar com os riscos desse mundo, aproveitar as oportunidades em favor da construção de uma sociedade melhor e, também, superar os desafios com responsabilidade e ética.

E nisso, surge a relevância de se tratar de Educação Digitalnão só dentro de casa, mas, também, nas escolas. A cultura digital está aí e não podemos negar a relevância de ela ser incorporada também à educação.

Pautados na ideia de que a tecnologia traz consigo riscos, desafios e oportunidades, nós da Geekie iniciamos o trabalho de construção da disciplina de Educação Digital.

Nesse caminho, queremos formar não apenas cidadãos capazes de interagir no mundo online offline, mas também, que tenham conhecimento do potencial que possuem para contribuir para o mundo em que vivem e saber como bem usar todo esse potencial.

Com isso, entendemos que Educação Digital não se limita a interagir com os novos dispositivos tecnológicos, que são muitos e mudam todos os dias. Mas acreditamos que esse deve ser um conteúdo que agregue, de forma significativa, à vida prática dos alunos.

QUEREMOS EDUCÁ-LOS PARA VIVER NO MUNDO, NÃO SÓ DE AMANHÃ, MAS DE AGORA.

Por isso, acreditamos que o mais importante, neste momento, é possibilitar o desenvolvimento das diversas habilidades pessoais (relevantes inclusive para o mercado de trabalho). Isso, porque, talvez estejamos preparando-os para trabalhos que ainda nem existam e para enfrentar desafios que não conhecemos. Mas, sabemos que uma pessoa que tenha pensamento crítico, empatia, espírito colaborativo, atue com responsabilidade, ética e colaboração, terá um diferencial em qualquer cenário que se insira.

São essas habilidades, por exemplo, que irão ajudar os alunos a compreender as dificuldades de se apagar qualquer rastro na rede para que tenham consciência ao postar algo ou compartilhar uma postagem online. Irão ajudar os alunos a usar a rede de uma forma consciente e com segurança, para que não compartilhem, em qualquer momento, seus dados pessoais e bancários com terceiros, para que se protejam e tenham cuidado com conteúdos dos outros.

Irão auxiliar na construção do pensamento crítico, para que saibam absorver a infinidade de conteúdos disponíveis na rede e não se deixem enganar por qualquer notícia ou dado publicado. Além de tudo, irão formar cidadãos capazes de compreender que o meio digital é composto de pessoas que possuem sentimentos e que a gentileza deve se estender para além do mundo físico.

Esses são apenas alguns exemplos das implicações da cultura digital nas vidas de nossos alunos e, igualmente, nas nossas vidas. Nossa crença é a de que o conhecimento seja construído com os alunos, dando a eles a autonomia para assumir sua aprendizagem. Assim, o crescimento é contínuo, aproveitando-se as facilidades que os jovens possuem no trato com a tecnologia e o que podemos contribuir de vivência para o dia a dia de cada um.

Se o universo que estamos inseridos já se mescla bastante entre o virtual e real, a Educação Digital passa a ser um passo fundamental e inerente à formação dos jovens para o preparo de cidadãos capazes de conviver nesse mundo e compreender seus riscos, desafios e oportunidades, fazendo o uso adequado de cada um deles.

* Carolina Brant é Designer Pedagógica da Geekie, bacharel em Direito com LL.M. em Direito Empresarial e está cursando o programa de certificação em Social-Emotional Learning and Character Development pela Rutgers School of Arts and Science em parceria com College of Saint Elizabeth. Tem experiência com Direito da Tecnologia, apaixonada por educação, encontrou seu caminho contribuindo para o time de Educação Digital da Geekie.

Leia mais:

A CORRESPONSABILIDADE DA ESCOLA E DOS PAIS NA EDUCAÇÃO DIGITAL DA GERAÇÃO Z

EM SUA COLUNA PARA A TRIP TRANSFORMADORES, SASSAKI, FUNDADOR DA GEEKIE, REFLETE SOBRE A CORRESPONSABILIDADE DA ESCOLA E DOS PAIS NA PREPARAÇÃO DOS ALUNOS DA GERAÇÃO Z.

Trabalhando com tecnologia educacional, não deve ser nenhuma surpresa que tenha escolhido para minhas filhas, Yasmin e Luana, uma escola com material didático primordialmente digital. O ambiente virtual é parte da rotina delas, ainda que tenham apenas 8 e 10 anos; está presente na comunicação, no entretenimento e, agora, também, no processo de aprendizagem – isso me entusiasma, mas também me preocupa como pai de duas pré-adolescentes que estão crescendo em um universo completamente diferente daquele que eu vivi na minha época de escola.

Quando eu estava no colégio, havia um leque de opções quanto a qual caminho seguir após a formatura: eu seria médico, advogado, engenheiro, professor…? Escolha feita, a trajetória era mais ou menos clara e linear: envolvia decorar o conteúdo, tirar boas notas, fazer simulados e entrar na universidade. Isso, com certeza, garantiria que eu conquistasse um bom emprego.

A matéria foi publicada originalmente no portal TRIP Transformadores e pode ser lida clicando aqui. 

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